Citação:

"Ora afinal a vida é um bruto romance
e nós vivemos folhetins sem o saber."

- Sweet Home, Carlos Drummond de Andrade

Sobre o blog:

Narração dos fatos da vida de um universitário, aspirante a escritor de prosa e verso. Nesse passeio, o cotidiano, a amizade, a cidade natal, o amor e temas metafísicos ganham um enfoque literário sob a visão de quem escreve.

Sobre mim:

Meu humor atual - i*Eu!

Nome: João Francisco Amorim Enomoto
Nascimento: 20/10/1984
Idade: 21 anos
Estuda: Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP - Curso Bacharelado em Ciências da Computação
Família: Sandra, mamãe; Lumi, irmã; Pedro, irmão caçula.
Inspirações literárias: Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, João Guimarães Rosa, José Saramago, George Orwell, Clarice Lispector, Machado de Assis, Pablo Neruda, Italo Calvino.
Ouve: MPB, Bossa Nova, Samba.
Gosta: de todos os amigos que tem, ouvir música, sair com os amigos, filosofar, escrever, ler livros de computacao e literatura em geral.
Não gosta: gente egoísta, egocêntrica ou limitada na maneira de pensar.
Lendo: Um livro aqui, outro acolá.

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quarta-feira, abril 12, 2006

Aeropuerto Ezeiza

Era chegado o nosso fim de viagem. Saímos do avião que saiu de Mar del Plata, aproximadamente meia hora de viagem e chegamos perto do começo da noite em Buenos Aires. A noite prometia frio de fora do avião e eu assustei um pouco pelo fato de não ter trazido nenhuma blusa para o outono argentino. Pensei que tão logo chegassemos no hotel onde pernoitaríamos na capital eu descansaria sobre cobertas tão convidativas quanto aquelas de Mar del Plata. Mas alguma coisa consumia a mim e a minha mãe: saudades. Quatro dias, o que são quatro dias longe de casa? Mas não eram apenas quatro dias, era uma saudade de milhares de quilômetros, os quais multiplicavam o sentimento para valores absurdos. Naquela noite, o que nós queríamos mesmo era retornar a terras brasileiras e abraçar quem a nossa saudade fazia por consumir.

No Aeroparque, aeroporto onde desembarcamos, cogitamos a possibilidade de ignorar o hotel, com medo que nossas reservas de dinheiro não fossem suficientes para pagar outro táxi. Não me opûs a minha mãe, eu queria sair de lá o quanto antes. Talvez houvesse um vôo que saísse para o Brasil ainda aquela noite e poderíamos tentar uma vaga. Chegaríamos de madrugada, mas ao menos estaríamos felizes. Aproveitei para dar uma rápida olhada numa banca/livraria, eu procurava um livro. Eis que eu encontro: "Cien años de soledad, Gabriel García Márquez". Era o livro que eu procurei em toda a minha viagem. Eu sei que Márquez não é argentino, mas queria um exemplar daquele livro em espanhol, era uma questão de honra. E foi assim que o nosso dinheiro para o táxi do hotel para o Ezeiza se desfez. Trocamos uma noite de frio no aeroporto por cem anos de solidão. Uma troca justa. Nunca vou esquecer que foi minha mãe quem sacrificou aquele dinheiro para essa loucura pessoal minha. Era uma troca: minha companhia naquela viagem e minha qualidade de fluência em inglês por um livro. Mas nossa troca foi muito além desse suposto jogo de interesses, naquela viagem conheci melhor minha mãe.

Tomamos um táxi para o aeroporto Ezeiza. Um taxista simpático nos conduziu até lá, conversando bastante conosco. Aproveitei e soltei um pouco o meu não-tão-treinado espanhol e conversamos, eu, ele e minha mãe. Falamos de futebol, de Buenos Aires, do nosso plano de algum dia regressar ao país para conhecer alguns lugares. Ele comentou algo sobre uma casa de Che Guevara, um lugar que a família transformara em museu. Tive vontade de conhecer esse lugar, como se fosse um ponto de partida para alguma coisa futura. Já no Ezeiza, o preço da hospitalidade levou todo nosso dinheiro, quase que exatamente. Eu guardara ainda uma pequena reserva de dinheiro, algumas moedas que queria levar ao Brasil apenas para ter uma boa lembrança daquelas terras. Como minha mãe havia pensado, se tivéssemos ido ao hotel, não teríamos dinheiro para pagar o último táxi. Agradeci a Deus por estar lá.

Com nossas malas de viagem, nos encaminhamos pacientemente a lugares para sentar. Vimos que a maior parte dos vôos já tinha saído, faltavam alguns poucos. Havia um que ia para o Brasil, mas era de uma outra empresa, logo não haveria como tentarmos uma vaga para um vôo antes; tínhamos que partir na manhã seguinte mesmo. Isso significava uma longa espera de aproximadamente oito a nove horas noite adentro. Alguns viajantes estavam lá também, a espera do seu vôo, e talvez pernoitariam conosco dentro da imensa armação de metal e vidro chamada Ezeiza.

Postado por Little John às 11:01.